Literatura Espírita para Adolescentes

por Orson Peter Carrara

Havia uma lacuna imensa na literatura espírita: obras direcionadas especificamente para adolescentes. Esta fase bonita da vida, ao mesmo tempo questionadora e cheia de incertezas, inseguranças, mas também saturada da força, inteligência e dinamismo próprio dos jovens, sentia a ausência na literatura espírita de obras que atendessem aos anseios desse imenso público. Especialmente considerando os desafios que enfrentam quanto aos perigos dos drogas, dos vícios, dos conflitos com os pais e mesmo diante da afirmação pessoal.

Pois bem, um autor inspirado, também especializado na literatura infantil – com vários livros já publicados por diferentes editoras – resolveu a questão. Duas editoras lançaram obras do consagrado autor e especial amigo do Guarujá, no litoral paulista.

Eis que a Federação Espírita Brasileira publicou Fugindo para Viver, uma obra ilustrada, mas também comovente e atual. Uma obra que aborda imortalidade, comunicabilidade dos espíritos, mediunidade, vida espiritual, entre outros valiosos ensinos – como a valorização da amizade ou das virtudes em geral –, além, é claro, de seu objetivo principal: dirigir-se aos jovens, falando com clareza dos ensinos espíritas. E com que clareza!

É o que também acontece com a outra obra publicada pela Boa Nova: o primeiro da série A.N.J.O.S., onde cinco adolescentes da mesma classe se unem para realizar um trabalho de física, numa aventura emocionante que igualmente transmite os princípios espíritas e traz a realidade do mundo juvenil. A obra abre uma série que breve receberá a sequencia por meio de outras que virão. Sempre direcionada ao mundo juvenil.

O autor é o amigo Adeilson Salles, que já premiou o público espírita com romances, mensagens, reflexões e em especial obras maravilhosas destinadas às crianças. Toda a versatilidade do autor, com sua inspiração e rara habilidade no trato com as letras na elaboração de histórias que encantam e suavizam o coração. Desejo, inclusive, sugerir ao leitor pesquisar as demais obras do autor, principalmente se o leitor estiver envolvido de alguma forma com crianças, como filhos, sobrinhos ou alunos. Os livros do autor são mesmo uma preciosidade.

Desejo inclusive sugerir às instituições e coordenadores de estudos da infância e juventude para que utilizem esse precioso material. Ao mesmo tempo são ótimas sugestões para presentear. Não deixe, pois, de conhecer e divulgar tais obras.

Marca de Amor

enviado por Evelyn Spínola

Um menino tinha uma cicatriz no rosto, as pessoas de seu colégio não falavam com ele e nem sentavam ao seu lado, na realidade quando os colegas de seu colégio o viam franziam a testa devido à cicatriz ser muito feia.

Então a turma se reuniu com o professor e foi sugerido que aquele menino da cicatriz não freqüentasse mais o colégio, o professor levou o caso à diretoria do colégio.

A diretoria ouviu e chegou à seguinte conclusão:

Que não poderia tirar o menino do colégio, e que conversaria com ele, para que ele fosse o primeiro a entrar e o último a sair.Desta forma nenhum aluno via o rosto do menino, a não ser que olhassem para trás.

O professor achou magnífica a idéia da diretoria, sabia que os alunos não olhariam mais para trás. Levado ao conhecimento do menino da decisão ele prontamente aceitou a imposição do colégio, com uma condição:

Que ele compareceria na frente dos alunos em sala de aula, para dizer o por quê daquela CICATRIZ.

A turma concordou, e no dia o menino entrou em sala dirigiu-se a frente da sala de aula e começou a relatar:

– Sabe turma eu entendo vocês, na realidade esta cicatriz é muito feia, mas foi assim que eu a adquiri:

– Minha mãe era muito pobre e para ajudar na alimentação de casa minha mãe passava roupa para fora, eu tinha por volta de 7 a 8 anos de idade…

A turma estava em silencio atenta a tudo .

O menino continuou: além de mim, haviam mais 3 irmãozinhos, um de 4 anos, outro de 2 anos e uma irmãzinha com apenas alguns dias de vida.

Silêncio total em sala.

-… Foi aí que não sei como, a nossa casa que era muito simples, feita de madeira começou a pegar fogo, minha mãe correu até o quarto em que estávamos pegou meu irmãozinho de 2 anos no colo, eu e meu outro irmão pelas mãos e nos levou para fora, havia muita fumaça, as paredes que eram de madeira, pegavam fogo e estava muito quente…

Minha mãe colocou-me sentado no chão do lado de fora e disse-me para ficar com eles até ela voltar, pois minha mãe tinha que voltar para pegar minha irmãzinha que continuava lá dentro da casa em chama.

Só que quando minha mãe tentou entrar na casa em chamas as pessoas que estavam ali, não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha, eu via minha mãe gritar:

– “Minha filhinha está lá dentro!” Vi no rosto de minha mãe o desespero, o horror e ela gritava, mas aquelas pessoas não deixaram minha mãe buscar minha irmãzinha…

Foi aí que decidi. Peguei meu irmão de 2 anos que estava em meu colo e o coloquei no colo do meu irmãozinho de 4 anos e disse-lhe que não saísse dali até eu voltar.

Saí de entre as pessoas, sem ser notado e quando perceberam eu já tinha entrado na casa. Havia muita fumaça, estava muito quente, mas eu tinha que pegar minha irmãzinha.

Eu sabia o quarto em que ela estava. Quando cheguei lá ela estava enrolada em um lençol e chorava muito… Neste momento vi caindo alguma coisa, então me joguei em cima dela para protegê-la, e aquela coisa quente encostou-se em meu rosto…

A turma estava quieta atenta ao menino e envergonhada então o menino continuou: Vocês podem achar esta CICATRIZ feia, mas tem alguém lá em casa que acha linda e todo dia quando chego em casa, ela, a minha irmãzinha me beija porque sabe que é marca de AMOR.

Vários alunos choravam, sem saber o que dizer ou fazer, mas o menino foi para o fundo da classe e imovelmente sentou-se.

Para você que leu esta história, queria dizer que o mundo está cheio de CICATRIZES.

Não falo da CICATRIZ visível mas das cicatrizes que não se vêem, estamos sempre prontos a abrir cicatrizes nas pessoas, seja com palavras ou nossas ações.

Há aproximadamente 2000 anos JESUS CRISTO, adquiriu algumas CICATRIZES em suas mãos, seus pés e sua cabeça.

Essas cicatrizes eram nossas, mas Ele, pulou em cima da gente, protegeu-nos e ficou com todas as nossas CICATRIZES..

Essas também são marcas de AMOR.

Jesus te ama, não pelo que você é, mas sim por quem você é, e para Jesus você é a pessoa mais importante deste mundo.

Nunca se esqueça disso!

“Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo.

Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.”

O Direito do Homem

por Ary Brasil Marques

Um dos fatores que distingue os seres humanos dos animais é a faculdade que os mesmos possuem de pensar.

Penso, logo existo. Cada pessoa no planeta é livre para pensar e escolher o que quer para si em matéria de crença, de religião ou de postura diante da vida.

Algumas pessoas acreditam em Deus e na vida após a morte. Outras, não.

Há gente que segue os ensinamentos da Bíblia, outros do Alcorão, do Torá, de Buda, de Kardec ou de outros milhares de correntes religiosas ou filosóficas.

Temos a tendência de nos unir às pessoas que pensam como nós, formando grupos estanques e trazendo com essa prática uma imensa divisão entre os homens, contrariando fundamentalmente os ensinos de todos os grandes líderes religiosos. Jesus Cristo, o mais perfeito ser que passou por nosso planeta, deixou como ensino básico para todos nós o “amai-vos uns aos outros.”

Não há nada de errado no fato das pessoas se agruparem por afinidade e maneira parecida de pensar, desde que ame também o próximo diferente sem qualquer condição, respeitando cada um o direito e o pensamento do outro.

Grande parte das pessoas que se une em organizações religiosas transforma sua religião em verdadeiro clube de futebol, e o fanatismo delas se iguala a dos violentos torcedores que agridem os adeptos de outras agremiações.

Voltaire nos deixou uma frase célebre: “Posso não concordar com nenhuma palavra do que você está dizendo, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-las.”

Somos todos irmãos, filhos do mesmo Deus. Somos livres para pensar e temos o direito de escolha do caminho que devemos seguir.

A Declaração Universal dos Direitos do Homem dá a todo ser humano o direito de pensar livremente. É claro que a população da Terra é heterogênea e a unanimidade é impossível, e cada pessoa pensa e age de acordo com o seu atual estágio evolutivo.

Respeitemos o outro. Mais do que isso, amemo-lo como nosso verdadeiro irmão, pois ele o é, mesmo não pertencendo à nossa grei ou religião.

SBC, 29/05/2010.

Escravo do Elogio, por Wellington Balbo

Renato começava a se destacar no palco da vida.

Eram aplausos, elogios, tapinhas nas costas, bajulação…

Não tardou para que o pomposo rótulo de estrela aparecesse como uma espécie de sobrenome.

Sua opinião era sempre respeitada, suas frases tornavam-se chavão e seu comportamento começou a ser imitado por infindável número de pessoas.

Logo, Renato por ser tão requisitado começou a sentir-se o Dono do Mundo.

Passou a considerar-se insubstituível.

Um “Escolhido”, era assim que se intitulava.

Embriagado pelos elogios, passou a ter devaneios, julgava-se infalível e queria moldar todos a seu modo.

Quem não pensasse como ele estava errado.

Quem não lhe imitasse estava “fora de moda”.

Seu jeito de falar – O Melhor.

Sua maneira de ser – A mais Adequada.

Seu sorriso – O mais Bonito.

Suas frases prediletas eram:

– Eu disse, eu avisei.

– Se todos fossem como eu o mundo estaria melhor.

– Para as coisas darem certo, vocês têm que ser como eu sou.

Não percebeu que assim perdia sua identidade e dava largo passo à loucura.

Algum tempo depois, o povo e a mídia elegeram outro ídolo.

Renato ficou órfão da bajulação, mas não perdeu a pose, continuou querendo moldar todos que o rodeavam.

Foi perdendo amigos, namorada, o emprego…

Familiares afastaram-se por não mais quererem conviver com sua arrogância.

Hoje, Renato tenta colher aplausos de seus colegas no hospício em que está internado…

O mundo aplaude, mas também apupa.

Os elogios são sementes lançadas ao solo de nosso coração que devem ser cultivadas com todo cuidado.

Quem, à semelhança de Renato, deixa-se arrastar pelos elogios perdendo as noções da realidade a considerar-se acima do bem e do mal, habilita-se ao desequilíbrio.

Mais prudente encará-los como estímulos para que melhoremos cada vez mais.

Diz o dito popular: canja de galinha não faz mal a ninguém.

Seguindo as recomendações do adágio popular, nosso Chico Xavier, prudente como um sábio, dizia ser apenas uma formiguinha, das menores, que anda pela Terra cumprindo sua obrigação.

O médium agindo assim livrava-se dos inconvenientes de sentir-se a cereja do bolo.

Espíritos mais adiantados como Chico tem plena consciência do estágio evolutivo em que estão. Encaram, portanto, os elogios como estímulos para o prosseguimento de sua missão, nada além disso.

São muitos casos de gente que conheceu holofotes e aplausos e aprisionaram-se a eles.

Quando cessaram os tapas nas costas caíram em depressão.

Faltou a eles o reconhecimento de que somos uma formiguinha, das menores, que anda pela Terra cumprindo nossa obrigação.

Chico sabia disso.

Para nosso equilíbrio é bom aprendermos também.

Pensemos nisso

Há Exatos 30 Anos, na Globo

email enviado por Samuel Lima

No dia 23 de maio de 1980, às 21 horas, a TV Globo levou ao ar para todo o Brasil, dirigido pelo uberabense e espírita Augusto César Vannucci, um dos mais belos programas já produzidos na televisão em homenagem a alguém. UM HOMEM CHAMADO AMOR, o nome do programa que surgia como apoio e divulgação à campanha do Prêmio Nobel da Paz para Chico Xavier.

O Especial emocionou o povo brasileiro.

Artistas dos mais expressivos do Teatro e da Música participaram com grande brilhantismo e, entre eles, destacamos Tony Ramos, Elis Regina, Lady Francisco, Nair Bello, Glória Menezes, Lima Duarte, Paulo Figueiredo, Vanusa, Eva Vilma, Felipe Carone, Roberto Carlos…

Gilberto Gil compôs em homenagem ao Chico a música No Céu da Vibração, que Elis Regina interpretou como só ela poderia ter feito.

Ao final, Chico psicografou diante das câmeras belíssima página de Emmanuel, aqui inserida, sintetizando o tema abordado ao longo de todo o programa, que, diga-se de passagem, alcançou altíssimos índices de audiência.

Eis a mensagem de Emmanuel:

Amigos, Jesus nos abençoe.

A inteligência humana conseguirá atingir as maiores realizações.

Poderá conhecer a estrutura de outros mundos.

Construir no piso dos mares.

Escalar os mais altos montes.

Interferir no código genético das criaturas.

Decifrar os segredos da vida cósmica.

Penetrar os domínios da mente e controlá-los.

Inventar os mais sofisticados aparelhos que propiciem o reconforto.

Criar estatutos para o relacionamento social e transformá-los, segundo suas próprias conveniências.

Levantar arranhacéus ou materializar as mais arrojadas fantasias.

Entretanto, nunca poderá alterar as leis fundamentais de Deus e nem viver sem amor.

O jornalista Arthur da Távola, sob a inspiração da Campanha do Prêmio Nobel a Chico Xavier, escreveu nas páginas do jornal O Globo, em 26 de maio de 1980, o que consideramos um dos melhores artigos produzidos sobre o médium na imprensa leiga.

A FIGURA DE COMUNICAÇÃO DE FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Independente de qualquer posição pessoal, crença ou conviccção, a figura de comunicação de Francisco Cândido Xavier percorre décadas da vida brasileira, operando um fenômeno (refiro-me à comunicação terrena mesmo) de validade única, peculiar, originalíssima. Não vou, portanto, por falta de autoridade para tal, analisá-lo do ângulo religioso e, sim, as relações de sua figura de comunicação com o público.

Com todos os significantes necessários a já ter desaparecido ou ter-se isolado como um fenômeno passageiro, a figura de comunicação de Francisco Cândido Xavier, no entanto, ganha um significado profundo, duradouro, acima e além de paixões religiosas, doutrinas científicas ou interpretações metafísicas.

A inexistência de um tipo físico favorecedor funciona como outro curioso paradoxo a emergir da figura de comunicação de Chico Xavier. Aquele homem de fala mansa, peruca, acentuado estrabismo, pessoa de humildade e tolerância, não configura o tipo físico idealizado do líder religioso, do chefe de seita, do místico impressionante.

A clássica barba dos místicos ou a cabeleira descuidada ou olhar penetrante e agudo dos líderes inexistem no visual de Chico Xavier, Acrescente-se a inexistência, em seu modo de vestir, de qualquer originalidade ou definição de estilo próprio, ainda que contestador dos estilos formais e burgueses.

Não tem, portanto, Chico Xavier, nos aspectos externos e formais de sua figura de comunicação, nenhum dos elementos habitualmente consagrados como funcionais ou impressionantes dos aspectos externos do grande público, elementos de comunicação incorporados consciente ou inconscientemente por figuras importantes nas religiões. Até a figura do Papa líder de uma comunidade religiosa, é envolta em pompa e festa, estratégia visual destinada à maior pregnância de sua mensagem e à definição de sua posição como símbolo. Nem mesmo a mais decidida modéstia e humildade pessoal de vários papas são suficientes para que a figura papal se desvista da pompa e simbologia relativas ao reinado que representa. Até nas religiões orientais, menos pomposas, as figuras líderes são cercadas da visão carismática do líder.

Francisco Cândido Xavier, porém, representa uma espécie de antítese vitoriosa da figura carismática. Não tem, do ponto de vista externo ou visual, nenhum elemento característico. Até ao contrário. Pessoalmente, é o anticarisma. Funciona como símbolo de negação de qualquer pompa ou formalidade, um retorno talvez à pureza primitiva dos movimentos religiosos.

E no entanto emerge da figura dele uma das mais poderosas forças de identificação da vida brasileira. Ele é uma espécie de líder desvalido dos desvalidos, dos carentes, dos sofredores, dos não onipotentes, dos despretensiosos, dos modestos, dos dispostos a perder para ganhar.

Curiosamente, tal posição é conquistada naturalmente e sem qualquer traço político direto de tomada de posição ao lado dos fracos num século em que a revolução social aparece como a tônica e como a grande aglutinadora dos movimentos humanos, inclusive os religiosos. Sem qualquer formulação política, sem qualquer mensagem diretamente relacionada com a exploração do homem, sem qualquer revolta direta e institucionalizada contra a miséria ou a injustiça, Francisco Cândido Xavier emerge com a força do perdão, da tolerância, da fraternidade real, da fraqueza forte, da fé, da humildade e do despojamento erigidos como regra de vida, como trabalho efetivo da caridade; da não pompa; da não hierarquia; da não violência em qualquer de suas manifestações, mesmo as disfarçadas em poder, glória, secretismo, hermetismo, iniciação, poder temporal ou promessa de vida eterna.

A figura de comunicação de Francisco Cândido Xavier emerge, portanto, de uma relação profunda e misteriosa com um certo modo de sentir do homem brasileiro, relação esta ainda insuficientemente estudada ou conhecida até mesmo pelos que a vivem, comandam ou exercem. Até mesmo para ele, Francisco, deve haver muita coisa envolta em mistério, um mistério que os seguidores dele tentam definir e enchem-se de explicações científicas ou cientificizantes, religiosas ou religiosizantes, psicológicas, parapsicológicas ou parapsicologizantes.

Para tal contribui, além do aspecto misterioso da psicografia e da relação com os que morreram, a igualmente misteriosa aura de paz e pacificação que domina os que com ele se relacionam pessoalmente ou via meios de comunicação, na relação cuidada e cautelosa, equilibrada e pouco frequente por ele mantida com a televisão, na qual aparece muito pouco, uma vez por ano no máximo e sempre para grandes públicos.

Além da aura de paz e pacificação que parte dele, há um outro elemento poderoso a explicar o fascínio e a durabilidade da impressionante figura de comunicação de Francisco Cândido Xavier: a grande seriedade pessoal do médium, a dedicação integral de sua vida aos que sofrem e o desinteresse material absoluto. A canalização de todo o dinheiro levantado em direitos autorais para as variadíssimas atividades assistenciais espíritas dão a Chico Xavier uma autoridade moral – tanto maior porque não reivindicada por ele – que o coloca entre os grandes líderes religiosos do nosso tempo.

Quem se aproximar da atividade real de assistência material e espiritual da comunidade espiritualista brasileira verificará que ela é íntegra e heróica, tal e qual o que há e sempre houve de melhor em assistência de religiões como a católica e a protestante (entre nós), prodígios de dedicação, silêncio e humildade que justificam as vidas dos que delas participam.

Síntese final:

A integridade pessoal; a íntima relação entre a pregação e a própria vida; a honestidade de seus seguidores; a ausência completa de significantes externos; o contato com o mistério; a ausência de qualquer forma de violência em sua figura e pregação; a nenhuma subordinação a hierarquias aprisionantes; a discrição pessoal; a nenhuma procura de poder político, temporal ou econômico para o desempenho da própria missão; as formas originais de organização interna do seu movimento, sem personalismos ou autoritarismos – tudo isso gera uma figura de comunicação de alta força, mistério, empatia e grandeza moral, principalmente se considerarmos que enfrentou e ultrapassou tempos diferentes do atual (no qual o ecumenismo felizmente impôs-se). Antes, manifestações como as dele eram removidas como bruxaria ou perigosa, ou bárbaras ou alucinantes quaisquer manifestações místico-religiosas diferentes ou discrepantes da religião da classe dominante.

Livro: 100 Anos de Chico Xavier – Fenômeno Humano e Mediúnico

Carlos A. Baccelli

LEEPP – Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo

O Desafio do Centro Espírita

Richard Simonetti
Richard Simonetti

por Richard Simonetti

1 –     O centenário do nascimento de Chico Xavier levou a Doutrina Espírita para a mídia, com intensidade inimaginável. Nunca se falou tanto de Espiritismo nos órgãos de comunicação. Como você vê essa exposição em termos de economia para o movimento?

Sem dúvida, algo muito positivo. Sem irreverência, diria que mesmo depois de “morto” Chico continua fazendo pelo movimento espírita mais do que todos os espíritas juntos. O problema é “capitalizar” esse benefício.

2 –     O que seria essa “capitalização”?

Fazer repercutir essa exposição na mídia em dinamização do Espiritismo no Brasil, a partir de pessoas que se interessem pelos seus princípios e se integrem no Centro Espírita, a célula básica.

3 –     Qual a dificuldade maior nesse sentido?

As limitações das casas espíritas. Um data show, um boletim informativo, uma biblioteca, uma livraria, um clube do livro espírita, palestras bem fundamentadas, serviço de atendimento fraterno e passes magnéticos, cursos de Espiritismo, reuniões mediúnicas com observância dos princípios doutrinários, tudo isso é básico para acolher as pessoas que hoje nos procuram.

4 –     Considerando que a maior parte dos Centros Espíritas é de pequeno porte, com poucos colaboradores, não seria exigir demais de seus dirigentes?

Não estamos confundindo efeito com causa? Não será o Centro pequeno por falta de iniciativa dos dirigentes?

5 –     A que atribuir essa falta de iniciativa?

Um sacerdote católico estuda no mínimo quinze anos no seminário para ordenar-se; algo semelhante com os pastores protestantes das igrejas tradicionais. Aprendem a falar em público, a administrar a igreja, a motivar os fiéis… No movimento espírita, alguém entusiasma-se com práticas mediúnicas, funda um Centro Espírita, constrói uma sede, não raro com seus próprios recursos, e torna-se presidente vitalício, sem nenhum preparo para o cargo, sem conhecimento doutrinário, sem noções de administração de uma casa espírita. Resultado: estagnação.

6 –     Uma escola para dirigentes não desembocaria no profissionalismo religioso, contrário aos princípios doutrinários?

A ideia não é uma escola para dirigentes, mas que os dirigentes frequentem a escola, isto é, que estejam sempre atentos à necessidade do estudo, do aprimoramento de sua atuação, da frequência aos cursos hoje ministrados pelos órgãos de unificação, empenhados em oferecer aos dirigentes a orientação necessária para que realizem um bom trabalho.

7 –     O que pode ser feito?

Em primeiro lugar, superar a pretensão da autossuficiência. Geralmente dirigentes assim sentem-se meio “donos da verdade”, recusando-se a admitir suas próprias limitações. Tendem a centralizar tudo em suas mãos, nada fazem e nada deixam fazer, “ancorando” o “barco”. O dirigente deve ser um “leme”, estabelecendo as diretrizes gerais, conforme a orientação doutrinária, e deixando os companheiros navegarem ao influxo de suas iniciativas.

8 –     E como transformar o âncora em leme?

Está sendo lançado pela CEAC-Editora, de Bauru, meu livro Por uma vida melhor, onde, a par de algumas reflexões sobre os caminhos que nos levam a uma existência  saudável e feliz, e, sem pretender “falar de cátedra”, ofereço aos confrades algumas sugestões para que o Centro Espírita cumpra suas funções de divulgação doutrinária e ajuda aos necessitados de todos os matizes.

O CPF

Ary Brasil Marques
Ary Brasil Marques

por Ary Brasil Marques

O governo brasileiro criou um instrumento perfeito que lhe permite controlar a vida de todos nós e com o seu uso, através de cruzamento de dados feitos por modernos computadores, arrecadar cada vez mais tributos.

Pelo CPF, as pessoas passam a ser um número, que dá ao Fisco condições de avaliar as riquezas que cada um possui. O aumento patrimonial de cada contribuinte é avaliado e conferido pelas informações bancárias, dos registros de imóveis, dos cartões de crédito, dos Detrans, das financeiras, das agências de viagens e turismo, das bolsas de valores e de outros meios. Com isso, o Leão, nome com se chama o monstro arrecadador do imposto de renda, cruza os dados informados por cada um dos declarantes no final de cada ano e tem condições de cobrar dos indefesos portadores do CPF o imposto de renda que determina a Lei. O valor arrecadado teoricamente serviria para o desenvolvimento do país, e aumenta a cada ano. Infelizmente dois grandes fatores impedem que esse objetivo não seja alcançado em toda a sua plenitude: a sonegação da maioria dos contribuintes e o uso criminoso dos valores arrecadados em benefício de governantes sem escrúpulos.

Na teoria, é difícil fugir das garras do leão, e isso só acontece porque a fiscalização ainda não é perfeita e também é influenciada pela corrupção de ambas as partes.

O dia que o governo alcançar uma maneira de aproveitar o progresso da tecnologia e da informática com perfeição, não mais será possível a sonegação existente até hoje.

No plano espiritual também existe um instrumento de controle individual, com a diferença que as informações de cada espírito são armazenadas em arquivos chamados registros akásicos.

Ao contrário do CPF terreno, os registros de cada um de nós não permitem falhas ou sonegações de espécie alguma. Esses registros ajudam a criatura a se desenvolver e a evoluir, utilizando todos os atos bons e maus de cada um, que são ali registrados e que acompanham os espíritos em todas as suas encarnações. Os espíritos superiores se servem desses registros não para punir mas para ajudar a cada um na sua trajetória ascencional rumo à perfeição.

Lá não se pode esconder nada, sonegar informações pessoais  ou burlar o semelhante, e Deus permite a cada um de seus filhos ter na própria consciência as linhas mestras desses registros. Dessa forma, ninguém pode alegar ignorância e praticar o mal, pois dentro de si mesmo a pessoa sabe qual o caminho certo a seguir.

Resumindo: Na Terra, o CPF nos controla e nos coage. Na espiritualidade, nossos registros nos impulsionam a crescer e a buscar o caminho do amor, com a aplicação da Lei de Ação e Reação, e cada um vai recebendo de volta aquilo que plantou, aprendendo com esse instrumento maravilhoso a evoluir.

SBC, 01/05/2010.

A Força do Exemplo

Richard Simonetti
Richard Simonetti

por Richard Simonetti

Vós sois a luz do Mundo. Não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte. Nem se acende uma candeia* para colocá-la debaixo do alqueire*, mas no velador*, a iluminar todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus (Mateus, 5:14-16).

– Tenho sério problema com minha esposa. Acha que Espiritismo é coisa do diabo.

– Ela conhece a Doutrina?

– Que nada! Nem se dá ao trabalho de folhear jornais e livros que levo para casa.

– Sugeriu que participe de uma reunião doutrinária para superar a impressão negativa?

– Não admite sequer falar a respeito e acha ruim quando saio. Sou obrigado a dar uma “engrossada” para que respeite meus compromissos.

– Experimente instituir o Culto do Evangelho no Lar. É valiosa oportunidade de trocar idéias em torno das lições de Jesus, harmonizando o ambiente doméstico.

– Conheço minha mulher. Acabaríamos em pancadaria verbal.

– E o relacionamento entre vocês?

– Ela é feminista de carteirinha. Vive a proclamar igualdade de direitos, esperando que eu assuma encargos domésticos. Comigo não! Mulher tem que ser submissa ao marido. Por isso brigamos muito.

– Experimente exercitar cooperação, compreensão e tolerância, como ensina o Espiritismo.

– Aí será demais! Se demonstrar fraqueza ela toma conta.

– É mais provável que com seu exemplo a esposa se convença de que Espiritismo é algo muito bom. Faz de você um verdadeiro cristão. Pense nisso…

* Candeia: Lâmpada rudimentar alimentada por óleo.

* Alqueire: Antigo recipiente que funcionava como medida para secos e molhados.

* Velador: Suporte para fixação da candeia. Candelabro.

EM TRINTA SEGUNDOS: RELIGIÃO

– Qual a melhor religião?

– Qual a melhor comida?

– Depende do paladar.

– Assim é a religião.

– Todas são boas?

– Sim, questão de opção.

– Então cada qual escolhe a que lhe agrade…

– Perfeito, desde que haja religiosidade.

– O que é isso?

– Vivenciar os princípios religiosos.

– De que forma?

– Aprendendo a servir.

– O que tem a religião a ver com isso?

– A religião é o caminho; servir é o caminhar.

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